Amamentar é um momento mágico, mas ninguém avisa que os seios podem passar por alguns desafios durante essa fase. Saber quais são as doenças nos seios durante a amamentação, como identificá-las e preveni-las, faz toda a diferença para você se sentir segura e confiante.
Durante a lactação, os seios passam por mudanças constantes: produção de leite, estímulo frequente do bebê, variações hormonais e até alterações na circulação local. Tudo isso aumenta a chance de surgirem problemas que podem causar dor, desconforto e até dificultar a amamentação, se não forem identificados rapidamente.
Principais doenças nos seios durante a amamentação
1. Ingurgitamento mamário

O ingurgitamento acontece quando os seios ficam excessivamente cheios de leite, deixando-os duros, sensíveis e até quentes ao toque. Isso é muito comum nos primeiros dias após a apojadura, aquele momento em que a produção de leite aumenta de forma repentina, geralmente entre o 3º e o 5º dia após o parto.
Principais causas
- Amamentação irregular ou com intervalos muito longos.
- Bloqueio parcial de ductos mamários.
- Bebê ainda em fase de adaptação à pega e à sucção.
Sintomas
- Dor ou desconforto nos seios.
- Inchaço e sensação de peso.
- Mamas endurecidas e quentes.
- Em alguns casos, dificuldade para o bebê abocanhar corretamente a aréola.
Como prevenir e aliviar
- Amamente em livre demanda, sem horários fixos, sempre que o bebê demonstrar sinais de fome.
- Tente esvaziar bem os seios em cada mamada.
- Varie as posições de amamentação para ajudar a drenar todas as regiões da mama.
- Se os seios estiverem muito cheios, faça uma massagem suave, direcionando o leite em direção ao mamilo, antes de colocar o bebê para mamar. Isso facilita a pega.
- Em alguns casos, retirar manualmente um pouquinho de leite pode ajudar o bebê a conseguir sugar melhor.
2. Mastite

A mastite é uma inflamação no tecido da mama, que pode ou não estar ligada a uma infecção bacteriana. É relativamente comum: estudos mostram que até 10% das mulheres no início da lactação podem passar por isso.
O que acontece é o seguinte: quando o leite acumula nos ductos mamários e não consegue sair adequadamente (geralmente por pega incorreta, intervalos longos entre as mamadas ou ingurgitamento), a mama fica inchada e dolorida. Esse acúmulo pode provocar inflamação e, em alguns casos, abrir espaço para que bactérias muitas vezes vindas da boca do bebê causem infecção.
Causas:
- Acúmulo de leite;
- Obstrução dos ductos;
- Infecção bacteriana, geralmente por Staphylococcus aureus.
Sintomas: dor intensa, vermelhidão, inchaço, febre, calafrios e mal-estar geral.
Tratamento: manter a amamentação para esvaziar o seio, hidratação, analgésicos e, quando indicado, antibióticos prescritos pelo médico.
3. Abscesso mamário

O abscesso mamário é uma complicação séria que pode surgir quando a mastite não é tratada corretamente ou demora a melhorar. Ele se caracteriza pelo acúmulo de pus dentro da mama, resultado de uma infecção mais intensa.
Sintomas
- Presença de um nódulo doloroso e endurecido, geralmente localizado em uma área específica da mama.
- Vermelhidão intensa e calor na região afetada.
- Febre, calafrios e mal-estar geral.
- Em alguns casos, pode haver saída de secreção purulenta pelo mamilo.
Tratamento
O tratamento do abscesso precisa ser feito com acompanhamento médico. Normalmente, envolve:
- Drenagem do pus (que pode ser feita com agulha ou cirurgia, dependendo do caso).
- Antibióticos prescritos para controlar a infecção.
- Alívio da dor com medicamentos indicados pelo profissional de saúde.
Mesmo durante o tratamento, é recomendado que a mãe continue amamentando sempre que possível. Amamentar do lado não afetado e esvaziar o seio infectado (com ordenha manual ou com bomba, se a sucção direta causar muita dor) ajuda a manter a produção de leite e a acelerar a recuperação.
⚠️ Importante: o abscesso mamário não deve ser tratado em casa. Sempre procure orientação médica ao perceber sintomas de mastite que não melhoram ou sinais de agravamento.
4. Candidíase mamária

A candidíase mamária é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, o mesmo que provoca o famoso “sapinho” na boca dos bebês. Esse fungo adora ambientes úmidos e quentes, e por isso os mamilos que ficam em contato frequente com leite e suor acabam sendo um local propício.
Ela pode aparecer em qualquer fase da amamentação, mas é mais comum quando já existe algum fator de risco, como:
- uso recente de antibióticos (pela mãe ou pelo bebê),
- fissuras ou rachaduras nos mamilos,
- baixa imunidade,
- candidíase vaginal recorrente na mãe.
Sintomas mais comuns:
- Dor em queimação ou pontada durante e após a mamada (diferente da dor da pega incorreta, que costuma ser só no início da sucção).
- Vermelhidão intensa ao redor da aréola.
- Coceira e sensibilidade nos seios.
- Em alguns casos, mamilos brilhantes ou descamativos.
- O bebê pode apresentar o sapinho (manchinhas brancas na boca e língua).
Tratamento e cuidados importantes:
- O tratamento deve ser feito simultaneamente na mãe e no bebê, senão acontece a reinfecção (um passa para o outro sem parar).
- Geralmente o médico indica antifúngicos tópicos (como pomadas próprias) para a mãe e solução antifúngica para o bebê. Em alguns casos, pode ser necessário tratamento oral.
- Evitar usar absorventes de seio úmidos por muito tempo, trocando-os sempre que estiverem molhados.
- Manter o peito arejado sempre que possível.
- Higienizar bicos de mamadeiras, chupetas e brinquedos que o bebê leva à boca para não manter o ciclo da infecção.
5. Galactocele (cisto de leite)

O galactocele é um cisto benigno que se forma quando um ducto mamário fica temporariamente bloqueado, causando o acúmulo de leite dentro da mama. Ele costuma aparecer como um nódulo arredondado, macio ou elástico, geralmente indolor e sem sinais de inflamação.
Causas
- Compressão do ducto mamário (por exemplo, uso de roupas ou sutiãs muito apertados).
- Esvaziamento incompleto da mama em algumas mamadas.
- Obstrução temporária de um dos canais por onde o leite passa.
Sintomas
- Nódulo palpável que pode mudar de tamanho com o tempo.
- Geralmente indolor, mas em alguns casos pode causar leve desconforto.
- Não costuma vir acompanhado de febre, calor local ou vermelhidão (o que ajuda a diferenciar de inflamações como a mastite).
Tratamento
Na maioria dos casos, o galactocele não representa risco e pode desaparecer sozinho com o tempo. Normalmente não é necessário tratamento.
- Se o cisto persistir ou for muito grande, o médico pode indicar a aspiração do conteúdo com agulha para aliviar o incômodo.
- O acompanhamento médico é essencial para descartar outras condições, já que o galactocele pode ser confundido com nódulos de outra origem.
Apesar de assustar quando descoberto, o galactocele é considerado uma complicação benigna e reversível durante a amamentação.
6. Fissuras e rachaduras nos mamilos

As fissuras nos mamilos não são exatamente uma doença, mas podem se tornar um grande desafio para a mãe no início da amamentação. Além de causarem dor, elas funcionam como uma “porta de entrada” para infecções, aumentando o risco de mastite e dificultando a pega do bebê.
Causas mais comuns
- Pega incorreta: quando o bebê suga apenas o bico, sem abocanhar bem a aréola.
- Fricção constante: devido à posição incorreta do bebê ou ao uso de protetores/sutiãs que irritam a pele.
- Uso inadequado de bombas de leite: principalmente quando a sucção está muito forte ou o tamanho do funil não é adequado ao seio da mãe.
Sintomas
- Dor ao iniciar a mamada (que pode persistir durante toda a sucção).
- Pequenas rachaduras visíveis ou sangramento no mamilo.
- Sensibilidade aumentada e dificuldade para continuar amamentando.
Como prevenir e cuidar
- Ajuste da pega: é o passo mais importante para evitar fissuras. A boca do bebê deve estar bem aberta, cobrindo boa parte da aréola.
- Hidratação natural: após cada mamada, espalhe um pouco de leite materno sobre o mamilo e deixe secar naturalmente. O leite tem propriedades cicatrizantes e antibacterianas.
- Apoio profissional: se a dor ou as rachaduras persistirem, procure uma consultora de amamentação ou um banco de leite para receber orientação.
- Evite pomadas desnecessárias e produtos irritantes que podem agravar a lesão.
💡 Com os ajustes corretos e um pouco de paciência, as fissuras geralmente cicatrizam rápido e a amamentação se torna muito mais confortável.
Como prevenir doenças nos seios durante a amamentação

- Pega correta: garante que o bebê retire leite eficientemente e previne fissuras, ingurgitamento e mastite;
- Amamentar com frequência: evita acúmulo de leite e problemas nos ductos;
- Variar posições: ajuda a esvaziar todas as áreas da mama;
- Higiene adequada: não use sabonetes agressivos e evite produtos que ressequem os mamilos;
- Apoio profissional: consultoras de amamentação podem identificar e corrigir problemas antes que evoluam;
- Guia confiável: o eBook “Do Peito ao Coração” é um ótimo recurso para dicas práticas, prevenção de dores e informações confiáveis sobre amamentação.
Resumo rápido: doenças nos seios durante a amamentação
- Ingurgitamento: seios duros, doloridos e cheios;
- Mastite: inflamação que pode incluir febre e vermelhidão;
- Abscesso mamário: complicação da mastite não tratada;
- Candidíase mamária: dor em queimação, vermelhidão e coceira;
- Galactocele: cisto de leite indolor, geralmente benigno;
- Fissuras e rachaduras: podem causar infecção, geralmente por pega incorreta.
Amamentar é um aprendizado, e conhecer as doenças nos seios durante a amamentação ajuda a tornar essa experiência mais segura e leve. Com informação, cuidados e apoio, é possível superar desafios e aproveitar esse momento único com seu bebê. 💕

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